Nossa visão se tornou completamente cinza. Suja, dura, escaldante. Cada vez se torna mais sufocante viver dentro dessa atmosfera densa a qual somos submetidos por pura sobrevivência fútil. As relações reinadas pelo dinheiro e pelo trabalho nos trouxeram um jeito de viver artificial e improvisado. A vida é movida pelos interesses dos outros, os valores são distorcidos e os prazeres já não são os mesmos.
Não há fuga. A sociedade nos persegue, e sem volta, somos submetidos a ela; porque como Durkheim estabeleceu, a sociedade faz o homem.
Mas que faz a sociedade? Os mais privilegiados? Os mais endinheirados? Quem elegeu o dinheiro como o regente do mundo?
Não temos chance de desmontar o que já foi feito. As instituições pressionam seus contribuintes numa situação semelhante a relação de um senhor e seus vassalos. O sistema tem um plano único e irremediável. O que nos resta a fazer é sentar e assistir à paisagem, torcendo para esquecer que fazemos parte dela.
A partir do momento que nos identificamos como membros de um grupo de indivíduos, nos tornamos responsáveis por tudo que vemos. As filosofias chegam a ser hipócritas por mastigar um assunto que foi produzido dentro de nós mesmos.
O que resta é um gosto sádico e inseguro sobre o cinza. Enquanto tudo estiver cômodo para os privilegiados, a realidade continua sendo algo a ser ignorado.
Sobre concretos,
domingo, 1 de maio de 2011 § 0
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