domingo, 6 de novembro de 2011 § 0

Fazem uns anos que venho sentindo isso
Acho que nunca escrevi sobre isso
Ainda não tenho vontade de escrever
Tenho mania de só tentar escrever sobre o que eu já sei
Deveria ser ao contrário
Escrever para entender as coisas...
Mas eu sempre fui do contra
Começo as revistas pelo final
Como a salada no final
Sou a última a sair da sala quando toca o sinal
Eu nunca considerei isso estranho, mas aqui estou eu
Fugindo do assunto mais uma vez.
O fato é que eu odeio quando as coisas não saem como eu planejei
Ando planejando algo faz 4 anos
E nada concluído, assim
Uns meses sem construir nada, 5 meses focada em outro projeto...
E assim fui, me afogando nas desculpas que sempre invento para mim mesma
(No caso, descubro que você também está envolvido nelas)
Me dói saber que te dói
Mas a vida é assim, eu não te disse?
Nem sempre é como agente quer
Chorar faz parte.
Dizendo aquilo:
Expectativas e objetivos não existem!
Você precisa trabalhar e arranjar dinheiro pra ter onde morar e o que comer!
Sonho é coisa de cinema!
A quem eu estou querendo enganar, hãn?
O meu sonho é você.
E eu não aguento mais ter que encarar o mesmo sonho todos os dias
O sonho que você é para outro alguém
O sonho que eu nunca consegui construir
O sonho que.... nunca foi sonho. Deixei de lado,
Me acomodei,
Congelei-me por proteção
E eu vou fugir de novo
Como todo mundo conta suas mentiras,
Eu sei que você não vai vir me buscar.

sábado, 5 de novembro de 2011 § 0

Toda vez que eu planejo escrever alguma coisa no caminho de casa

Alguma coisa acontece e me faz mudar de ideia

De alguma maneira é bom,

Mas eu já não tenho mais sobre o que escrever.

Eu queria é chorar.

Chora por mim, tá?

§ 0

Com os olhos escrachados, muitas vezes quebrados, sem dar atenção à alma, os passos tortos seguiam pelas ruas do subúrbio de Newark, amaldiçoados por uma mente mais forte que a sua. O garoto dos contos de fada estava jogado no asfalto, pronto para ser frito, revirado e devorado pelos vira-latas que rondavam seu semelhante. Um príncipe bastardo, fadado ao fracasso, a lenda que, no dia de nenhum, chegou à apoteose. Queria uma dose, uma dose violenta de qualquer coisa, um lugar para se deitar e um buraco para se enfiar. Eram muitas necessidades, eram muitos pensamentos, era uma sucessão de imagens infinitas e repetitivas em sua cabeça loira histérica. Todos os problemas que poderiam ser resolvidos com somente uma coisa. A pele ainda estava marcada com os hematomas que o tempo ainda não tinha tido espaço para curar, mas fervia por mais, fervia por junk.

E latejava a cada pisada, e ofegava a cada esquina. A falta de dose já era uma dopagem. Parecia cocaína, mas era só tristeza. Sede e fome. Mas os defeitos do material não valem a pena serem apontados (já estava estragado, mesmo), muito menos os acontecimentos prévios. Um drogado era um drogado, não importava o que ou quem lhe fizera um vagabundo. Era assim que a rua o via. E era assim que morreria na calçada, com sapatos de camurça e botas de segurança pisando seus órgãos, sem perguntar se haviam sonhos de vidro nos seus bolsos. Muitos deles eram de cristal. Tanta miséria assim fora realmente desejada por ele mesmo? É o que dizem.

Quando finalmente tinha jogado todas as notas que tinha para um traficante sem face, o êmbolo da seringa já estava cheio daquele líquido amarelado, e o braço esticado para ser mutilado por uma agulha fina. O líquido já começaria a correr pelas suas veias quando encontrou uma sarjeta para se acostar. As pupilas dilataram. Não há necessidade para nenhuma metáfora infame neste momento. Essa figura literária que fique por conta do Delírio.

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Escuta, eu tive um sonho bom hoje.

Tinha o Bandeira, e olha que eu nem gosto tanto de Bandeira.

Eu escrevia como ele.

Meu avô me levou pra conhecê-lo.

Ele leu minhas coisas, riu de leve e me ensinou a fazer tercetos matemáticos.

Achei uma merda. Odeio métrica.

Saí dali querendo um livro dele que não existia, e meu vô, querendo um “Pequeno Príncipe”

Quando cheguei em casa, escrevi uns versos assim:

Se eu te levasse para dar uma volta entre a Avenida São João e a Avenida Rio Branco,

Você ficaria impressionado com a quantidade de carros que fluem lá.

Hoje o percurso já é interrompido.

Só passa gente, muita gente, entupindo cada paralelepípedo, inundando as esquinas.

Antes aquela gente me assustava, agora ela fica pra trás, enquanto eu procuro pelos carros.

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Ás vezes, eu não queria pensar tanto.

A ignorância é privilégio de quem é feliz.

Não queria ligar para essas coias que infestam a cabeça com bobagens,

Queria só ver o natural. O básico. O óbvio,

Mas me deram alma, alma que só vê defeito e se embriaga indagando até os dedos virarem toco.

Não queria levantar de madrugada procurando um caderno.

Tenho muitos. Um para cada finalidade; mas, nem eu sei o que a alma grita, como vou rotular as letras que transbordam de minha mente?

Queria dormir em paz de ir para a escola no outro dia, assim como a garota-sem-nada-na-cabeça da carteira do lado, queria chegar de manhã e lamentar o não-existe-nada.

Queria não ouvir essa trilha sonora massante atrás dos lençóis do pensamento corrente,

Queria não sentir pelos falsos que criei,

Queria não amar por eles, nem odiar!

Ás vezes, só desejo que nunca houvessem existido.

Não queria sentir tanta falta deles.

Não queria querer tanto querer por eles.

Queria sentir só com a imaginação o que deverás sinto.

O latejar do pulso, queria algum dia poder arrancar do tendão,

Descravejar a essência de Deus que me corrompe, o desejo de manipular pescoços de vidro e troncos de seda.

Queria que as palavras cortassem seu fundo como lâminas infectadas de sentimento, queria ver cada olhar, cada gesto, cada pensar impregnado na pele do outro como fica na minha.

Queria parar de pensar em como deixar este texto melhor.

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“Londo Brigde Is Falling Down,

Londo Brigde Is Falling Down,

My Fair Lady~”

1, 7, 80, contava os tocos de dedo daquela coleção macabra e logo desistia. “Número são fujões. Quando eu conto 1, o outro já está lá em cima, bem lá perto do teto e da luminária e saem pelas janelas da rua para dentro de casa”

E guardou os dedos, rindo sozinho; “Quero guardar meus dedos também, mas isso vai doer, principalmente se for de baixo da cama”.

Eles estava guardados dentro de caixinhas coloridas com aroma de baunilha, dentro de outras caixonas, dentro de suas gavetas subterrâneas que ficavam atrás da porta.

Continuaria a cantarolar aquela melodia que era ritmada pelos murmúrios dentro da própria cabeça se não fossem os ofegos do boneco estirado na cama de aço frio estrebuchando feito um animal.

“Shhh! Vão ACHAR vocêê! seus pais, eles não sabem que você quer ficar aqui ficando bonito e guardando dedos para seus pais de outras janelas e outras partes dos pais”

Aproximou-se e bagunçou os cabelos do então amigo, pintado-os de cores frias fosforescentes, logo depois de descartar as caixinhas pro lado de lá.

Então voltou a fazer outra coisa, não essa com os dedos, mas fazer algo, só fingindo, pelo título, mesmo.

Na verdade, Delírio estava fazendo muitas coisas importantes, afinal, ele era mesmo; o D-E-L-Í-R-I-O.

Aquele que entorpece nossos sentidos, que entretêm nossos neurônios, que nos dá o ápice do prazer carnal ou a mais aterrorizante visão.

Porque Delírio não é como seus irmãos maiores, Sonho, ou Desejo, o garoto nos dá o que ELE quer. A marionete que caiu das mãos do Deus onipotente, passou pelo inferno e deu-se no que quis.

Quando os anjos e os homens ainda eram amados por Ele, Delírio foi Deleite. Mas como Destruição disse, em um dos seus poemas com ares italianos, “Eles já não precisavam mais de nós”. Assim como encontrariam deleite em artifícios da modernidade, os homens, seus mestres, conseguiriam destruir-se sozinhos.

E foi por isso que ele se perdeu, por falta de malícia, caiu na lábia de uma demônio, de algum submundo de qualquer universo pagão.

Cumprindo a mais nobre das funções dos Perpétuos: enlouquecer os humanos. Por mais que sejam espertos, em meio ao caos, não conseguem construir o que Delírio lhes proporciona.

Ninguém lhe havia dito como fazer isso. Mesmo que tivessem… teria esquecido. Ou guardado em algum bolso do céu vermelho do Tempus Fragit.


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Escuta, sim, já mandei você escutar pelo menos umas dez vezes,

mas, é importante dessa vez:

A vida não é cheia de Ohs e de Ahs como agente lê,

Fica fácil de você crer quando não vê ninguém triste rimando em métrica,

O problema é quando você encontra aquilo naquilo daquilo que te faz fazer:

Ah! - um verso metafórico de merda com recheio doce enfiado no cu -

Te faz lembrar que uma moça não deve usar tantos palavrões pra se expressar,

E nem gostar de tantas músicas que falam de vômitos assim,

Me faz lembrar que a vida é maior e que nem sempre é tão ruim assim,

Escuta - de novo - O otimismo só aparece quando agente fala mal do pessimismo,

Mas eu escuto teu sorriso, escuto você tentando, e te digo

Com você eu vou até o inferno.